Saturday, September 10, 2005

Mas que doidice

(Antônio Carlos Marques Pinto / Jocafi)
(1971)

Quando descobri, sua esperteza,
Acomodei, meu coração,
A sua real condição,
Saiba que insultou minha beleza,
Moleza,
Você não vai encontrar em mim.

Mas que doidice, é o nosso amor,
Não deu em nada, e machucou,
Mas que doidice é o nosso amor,
Não deu em nada e machucou.

Saiba que insultou minha beleza,
Moleza,
Você não vai encontrar em mim

Thursday, September 08, 2005

Sinto as convulsões típicas. Sinto a tosse vindo. Uma única palavra desencadeou todo o processo de destruição. "Miguito". Apenas isso. À dor que já ardia o peito veio se juntar o vômito desesperado do homem destruído. Não era necessário jogar essa ultima pá de areia. Eu já estava morto e putrefato, arrastando meu corpo fedorento e repulsivo pelo mundos dos vivo como se um deles fosse, mas a morte já havia me alcançado e os olhares de asco e rancor que me atingiam queimava minha carne exposta, aumentando o fedor podre que me envolvia. E, num último toque de sarcasmo, a Morte havia me deixado morto e respirando, morto e sentindo, morto e ainda morrendo. Deixou jogado neste mundo, arrastando as dores do espírito por entre o desprezo dos ainda vivos, como um monumento a tragédia dos que, até pela morte, são deixados pra trás. Então, do meu estômago de thanatus, um turbilhão dobrou meu corpo, um ardor quente veio-me a garganta e jogou-se na porcelana branca. E o vermelho do sangue vomitado manchou meus lábios de vida em agonia.

Sunday, August 28, 2005

Então eu caí na água. Água suja e fétida. Água nojenta em que me afogo. Água que sorvo obrigado e sinto o gosto da merda que boia nela descendo pela minha garganta. Que chega queimando em meus estômago e me faz sentir espásmos de dor e desespero. E a vomito, misturada com sangue, apenas para que ela volte e eu sinta novamente a dor, apenas para perpetuar o sofrimento substituindo o fígado dilacerado. (a continuar)
Então apareceu ele, não é? Aquele alto, de bata branca. Você gostou dele. Comentou com sorrisinhos no ouvido. Eu conheço o tipo. Sei como é. Não vai lhe respeitar. Mas você está acostumada a isso, não é? Faziam antes com você e foram 3 anos. Era disso que estava falando. O Mágico. Com seus truqes, com a roupagem bonita, não é? Faz uma boa aparência. Mesmo se sabendo que está sendo enganado, que é tudo truque, se fica do lado. É bonito. Vai matar de inveja as amigas. Era disso que estava falando. Não era de você. Você se deixa enganar, apenas. Não lhe roguei praga. Lhe disse o que você vai buscar na vida. O palhaço se retira pra Cidade de Macondo. Depois de ter pego a audiência triste e cansada, se sentido pra baixo ele a anima, a faz sentir melhor. E depois, cumprida a sua função, como foi dito por você mesma, mesmo que ele queira ficar mais e cuidar da plateia pra ela não mais ficar triste, ele é descartado para a entrada do Mágico. Aquele que você dará valor e ficará ao lado. E que vai te fazer precisar de outro palhaço.


Chet Baker - I Fall In Love To Easily


I fall in love too easily
I fall in love too fast
I fall in love too terribly hard
For love to ever last
My heart should be well-schooled
'Cause I been fooled in the past
But still I fall in love too easily
I fall in love too fast

Saturday, August 27, 2005

Você me colocou em meu lugar. No exato lugar em que mereço: Abaixo de qualquer vermq eu rasteje nesse planetas. Obrigado por ter me feito ver eu mesmo.
eu só queria entender pq a 4 dias eu ouvi:"Eu te adoro. Não precisa ter ciúmes. Eu te adoro."
A vida do palhaço é receber risadas. Ele nunca rirá, fará apenas os outros rirem. Podem rir. É pra isso que se serve. E um palhaço é sempre igual ao outro: Esquecível. Então o palhaço se retira. E vem o mágico. Aquele que engana, que faz truques e seduz a audiência. Mas é tudo falso. Mas gente gosta do que é falso. Do que engana e finge. Isso é valor. Eu nasci palhaço. Não sei enaganar, não sei fingir nem inventar truques pra justificar meus atos, logo, riem de mim. Aquela foi a senha pra eu ir embora. O palhaço pede licença pra sair do picadeiro. Que venha o mágico com seus truques. Assim, eu garanto, lhe darão valor. Assim ele será lembrado e será pedido que volte. Ao palhaço? Caras sem paciência quando as brincadeiras enchem os saco. Assim, vou ao meu nada. O palhaço do circo sem futuro. E o palhaço não mais incomoda.
É tudo uma palhaçada, claro. É um jogo cruel. No início vc ouve: "Eu queria que vc parasse de fumar, pq aí vc não morre cedo e fica mais tempo comigo". O problema não é nem dizer isso. É Acreditar nisso. Eu acreditei. Não deveria ser mais ingênuo a essa altura da vida, deveria saber comoa s cosias funcionam. Principalmente pra mim. Eu dizia, normalmente, em resposta:"Relaxe que em pouco tempo vc vai ter enchido o saco da minha cara. Nem falta como amigo eu vou fazer". Aí ouvia-se a resposta:"Deixe de drama. Vc sabe que fará falta e sabe que te adoro e que vc é especial...". E aí vinham aquela série de elogios que, hoje é a prova disso, eu sabia que não deveria mas, por ser suficientemente estúpido, acreditei sem querer. Mas também, não era difícil de acreditar. Vamos também ser justos. Não que eu fosse algo, ou que não fosse totalmente dispensável. É que vieram os momentos, os olhos, os pores-do-sol, os toques, os carinhos, os silêncios... Veio a Energia e o amor feito através dela. Fizemos um amor inédito. Nossas energias dançavam juntas, no infinito. Por isso caí na armadilha. Porque eu vi e senti coisas grandiosas acontecendo. Mas aí veio a realidade. Sutil e delicada como uma martelada no polegar. Veio sem palavras ditas, apenas com presenças ignoradas. Você simplesmente não ligava, não aparecia. Eu estava certo, mais uma vez: Eu era um nada pra você. Menos do que um conhecido. Alguém que não valia a pena nada. Tudo ficou duramente claro. Nem "como amigo", como se diz, eu significava nada pra você. Não tive direito nem a um pé na bunda formal. Tudo que recebi foi o desprezo. Eu ainda ouvia coisas:"Vc é especial, vc é lindo, vc é maduro". Mas eu não era nada. Era algo que não valia a pena ter ao lado nem se pisar em cima. É difícil admitir isso. Mais difícil ainda viver isso. Nem pra inflar seu ego eu servia. Eu fico imaginando como deveriam ser recebidos meus elogios e minhas "declarações" a você... Como deveriam ser motivos de risada interna e pena em relação a mim. Foram quase dois meses "juntos". Não é muito tempo, mas tb não é uma semana apenas. Dois meses saindo, conversando, silenciando. Estando juntos, enfim. E depois desse tempo, é duro ver você simplesmente sumir. É duro perceber que "falta minha", é algo que não está em você. é foda se saber tão medíocre, tão pequeno, tão merda, tão nada que você simplesmente "esquece" que estávamos juntos e pronto. Fácil. A menor, a mais remota, a mais ínfima falta. Nem como um bom amigo ou uma boa pessoa pra se estar do lado. Nada. Como se fosse uma sandália havainas que quebrou a tira e vc simplesmente pega e joga fora. Nem lembra mais de que cor era e não lhe faz a menor falta. Assim sou eu. Não lhe culpo. Só queria um pouco mais de firmeza:"Olha, panaca, me larga. Acabou". Algo assim... Pq o resto eu sabia que ia acontecer... Sou eu, afinal de contas. Eu não sou apaixonável. Descartável. Enfim... E tenho que acabar escrevendo um blog obscuro num endereço que nignuém tem. É apenas pra eu poder vir aqui e não me esquecer. Toda vez antes de ir à rua eu vir aqui e ler isso e lembrar do que sou e ficar no meu canto, na minha insignificância, como um inseto semi microscópico. Mas obrigado... Mesmo! De verdade! Vc foi mais uma que me lembrou o que sou, me colocou no meu devido lugar. É bom pra eu não querer ser mais do que sou. Não querer NUNCA ser alguém pra alguém. Resumir-se ao pedaço de merda que sou. Zeba, você é um nada, velho... Agora você vai pra rua, leia isso: Você é um nada. Um nada. Portanto tenha isso em mente hoje a noite. E se foda como sempre.

Friday, August 26, 2005

Então alguém me disse: "Zeba, ele botava pra fuder em cima dela". Foi quando eu entendi meu erro. O errro de uma vida inteira.

"Só peço a você um favor, se puder:
Não me esqueça num canto qualquer"