Saturday, August 27, 2005

É tudo uma palhaçada, claro. É um jogo cruel. No início vc ouve: "Eu queria que vc parasse de fumar, pq aí vc não morre cedo e fica mais tempo comigo". O problema não é nem dizer isso. É Acreditar nisso. Eu acreditei. Não deveria ser mais ingênuo a essa altura da vida, deveria saber comoa s cosias funcionam. Principalmente pra mim. Eu dizia, normalmente, em resposta:"Relaxe que em pouco tempo vc vai ter enchido o saco da minha cara. Nem falta como amigo eu vou fazer". Aí ouvia-se a resposta:"Deixe de drama. Vc sabe que fará falta e sabe que te adoro e que vc é especial...". E aí vinham aquela série de elogios que, hoje é a prova disso, eu sabia que não deveria mas, por ser suficientemente estúpido, acreditei sem querer. Mas também, não era difícil de acreditar. Vamos também ser justos. Não que eu fosse algo, ou que não fosse totalmente dispensável. É que vieram os momentos, os olhos, os pores-do-sol, os toques, os carinhos, os silêncios... Veio a Energia e o amor feito através dela. Fizemos um amor inédito. Nossas energias dançavam juntas, no infinito. Por isso caí na armadilha. Porque eu vi e senti coisas grandiosas acontecendo. Mas aí veio a realidade. Sutil e delicada como uma martelada no polegar. Veio sem palavras ditas, apenas com presenças ignoradas. Você simplesmente não ligava, não aparecia. Eu estava certo, mais uma vez: Eu era um nada pra você. Menos do que um conhecido. Alguém que não valia a pena nada. Tudo ficou duramente claro. Nem "como amigo", como se diz, eu significava nada pra você. Não tive direito nem a um pé na bunda formal. Tudo que recebi foi o desprezo. Eu ainda ouvia coisas:"Vc é especial, vc é lindo, vc é maduro". Mas eu não era nada. Era algo que não valia a pena ter ao lado nem se pisar em cima. É difícil admitir isso. Mais difícil ainda viver isso. Nem pra inflar seu ego eu servia. Eu fico imaginando como deveriam ser recebidos meus elogios e minhas "declarações" a você... Como deveriam ser motivos de risada interna e pena em relação a mim. Foram quase dois meses "juntos". Não é muito tempo, mas tb não é uma semana apenas. Dois meses saindo, conversando, silenciando. Estando juntos, enfim. E depois desse tempo, é duro ver você simplesmente sumir. É duro perceber que "falta minha", é algo que não está em você. é foda se saber tão medíocre, tão pequeno, tão merda, tão nada que você simplesmente "esquece" que estávamos juntos e pronto. Fácil. A menor, a mais remota, a mais ínfima falta. Nem como um bom amigo ou uma boa pessoa pra se estar do lado. Nada. Como se fosse uma sandália havainas que quebrou a tira e vc simplesmente pega e joga fora. Nem lembra mais de que cor era e não lhe faz a menor falta. Assim sou eu. Não lhe culpo. Só queria um pouco mais de firmeza:"Olha, panaca, me larga. Acabou". Algo assim... Pq o resto eu sabia que ia acontecer... Sou eu, afinal de contas. Eu não sou apaixonável. Descartável. Enfim... E tenho que acabar escrevendo um blog obscuro num endereço que nignuém tem. É apenas pra eu poder vir aqui e não me esquecer. Toda vez antes de ir à rua eu vir aqui e ler isso e lembrar do que sou e ficar no meu canto, na minha insignificância, como um inseto semi microscópico. Mas obrigado... Mesmo! De verdade! Vc foi mais uma que me lembrou o que sou, me colocou no meu devido lugar. É bom pra eu não querer ser mais do que sou. Não querer NUNCA ser alguém pra alguém. Resumir-se ao pedaço de merda que sou. Zeba, você é um nada, velho... Agora você vai pra rua, leia isso: Você é um nada. Um nada. Portanto tenha isso em mente hoje a noite. E se foda como sempre.

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