Então eu caí na água. Água suja e fétida. Água nojenta em que me afogo. Água que sorvo obrigado e sinto o gosto da merda que boia nela descendo pela minha garganta. Que chega queimando em meus estômago e me faz sentir espásmos de dor e desespero. E a vomito, misturada com sangue, apenas para que ela volte e eu sinta novamente a dor, apenas para perpetuar o sofrimento substituindo o fígado dilacerado. (a continuar)
Sunday, August 28, 2005
Então apareceu ele, não é? Aquele alto, de bata branca. Você gostou dele. Comentou com sorrisinhos no ouvido. Eu conheço o tipo. Sei como é. Não vai lhe respeitar. Mas você está acostumada a isso, não é? Faziam antes com você e foram 3 anos. Era disso que estava falando. O Mágico. Com seus truqes, com a roupagem bonita, não é? Faz uma boa aparência. Mesmo se sabendo que está sendo enganado, que é tudo truque, se fica do lado. É bonito. Vai matar de inveja as amigas. Era disso que estava falando. Não era de você. Você se deixa enganar, apenas. Não lhe roguei praga. Lhe disse o que você vai buscar na vida. O palhaço se retira pra Cidade de Macondo. Depois de ter pego a audiência triste e cansada, se sentido pra baixo ele a anima, a faz sentir melhor. E depois, cumprida a sua função, como foi dito por você mesma, mesmo que ele queira ficar mais e cuidar da plateia pra ela não mais ficar triste, ele é descartado para a entrada do Mágico. Aquele que você dará valor e ficará ao lado. E que vai te fazer precisar de outro palhaço.


